terça-feira, 25 de maio de 2010

Desabafo: A crise da educação no Brasil


A educação no Brasil está em crise. Muitas pessoas prestam tanta atenção aos pontos diretamente financeiros da crise econômica que esquecem de olhar um aspecto igualmente afetado (até a mais tempo do que o início da crise, na minha opinião), porém de relevância muito maior: a educação.



Não é nenhuma novidade que a rede de ensino pública brasileira está cheia de professores que, insatisfeitos com seus baixos salários e sobrecarregados com múltiplas turmas com centenas de alunos, para alcançar estabilidade financeira tornam-se profissionais incompletos, cansados, desgostosos com sua profissão, sem paciência, e por muitas vezes, extremamente indelicados. E quando se trata de um professor concursado? Responsável por uma coordenação de curso superior numa universidade federal de alto conceito, professor não só de disciplinas da graduação, mas também a nível de mestrado e doutorado? Bons salários, estabilidade no emprego, estabilidade financeira, cargas horárias mais maleáveis. O que leva alguém com tão alto grau de instrução a proferir tamanha falta de respeito, grosseria e até humilhação a seus subordinados e alunos?

Eu lhes respondo esta pergunta com uma humilde opinião: porque nem todo mundo que é instruído pode ser educado. Hoje em dia as pessoas estão misturando os conceitos e confundindo instrução com educação. Uma pessoa instruída tem conhecimentos dentro de uma certa área ou habilidade. Por exemplo, alguém formado em Direito pode saber todas as leis e advogar de maneira impecável, mas pode também usar de seus conhecimentos jurídicos para difamar, caluniar e humilhar alguém. Ironicamente, isso além de uma tremenda falta de respeito e educação, é também crime. Uma pessoa educada tem um certo desenvolvimento moral. Trata a todos com polidez, civilidade, cortesia, delicadeza. Trata a todos como iguais, afinal somos todos seres humanos. Pra mim nem adianta contra-argumentar com aquela idéia de que a gente não deve engolir sapos. Realmente, não somos obrigados a engolí-los, mas temos o dever de tratar as pessoas com respeito, gostemos delas ou não. Se vamos discordar, não custa nada argumentar de forma educada.

No dia 13 de Abril entrou em vigor o novo código de ética médica no Brasil. Foi uma sensação boa ver alguma coisa sendo feita para diminuir o egocentrismo e a presunção dessa classe profissional, mas a cada instante que passa sinto que isso é algo que precisa ser feito urgentemente na classe de professores brasileiros. Tem sido divulgado exaustivamente em novelas, reportagens, jornais e revistas a freqüência do bullying, uma prática onde o aluno é fisicamente ou emocionalmente maltratado, desrespeitado e mesmo humilhado não só por colegas de sala, mas também pelo professor, que muitas vezes inicia o movimento.


Não está na hora de tentar encontrar uma solução? Alguém compartilha da opinião de que enquanto nenhuma providência for tomada, nossos irmãos, sobrinhos, filhos e netos estarão sendo instruídos por profissionais grosseiros, ignorantes, pretensiosos, que apesar de altamente instruídos, formarão seres humanos igualmente amargos e mal-educados? Me desculpem, mas está na hora de alguém intervir. Depois de todo o esforço que nós temos para educar nossos filhos, passando valores, princípios, respeito... é assim que todo nosso carinho e dedicação se tornam obsoletos, desperdiçados? Reflitam. E que o sistema de educação brasileiro também. Pois os jovens mal-educados de hoje são os formadores de opinião de amanhã. Ninguém quer um líder que maltrata seus discípulos.

Obs.: Alguns conceitos foram adaptados do Dicionário Houaiss.

Um comentário:

Regy disse...

Concordo com você, Re, muita gente confunde instrução com educação. Sabe, na minha época (não sou tão velha assim, mas as coisas mudaram muito) era tudo diferente. O bullying existia, mas não era algo tão agressivo. Os professores eram melhores instruídos e os alunos aprendiam algo. Os pais também faziam o seu papel, de cobrar. A junção de todas essas coisas, e outras mais, contribuem com a decadência do ensino.
Enfim... nossos filhos/netos enfrentarão muitas dificuldades se a coisa não mudar.
=/

Beijoca. Ótimo texto.